A Fábrica Campos Melo - Factos e Figuras da História a Covilhã

A FÁBRICA CAMPOS MELO

 

Foi a sede de um grupo empresarial que marcou profundamente a história dos lanifícios tanto a nível local e regional, como nacional. Também conhecida por Fábrica Velha, deve esta designação ao facto de se encontrar instalada num dos mais significativos espaços arqueológico-industriais covilhanenses, nas margens da Ribeira da Carpinteira. Trata-se do local onde, em 1677, sob intervenção do Conde da Ericeira, se instalou a Fábrica Nacional de Sarjas e Baetas, que, em 1780, viria a ser ocupada pela Tinturaria de José Henriques de Castro e, posteriormente, dos seus herdeiros. A partir  de 1845, os irmãos José Maria da Silva Campos Mello, Comendador (1808-1866) e Francisco Joaquim da Silva Campos Mello, 1º Visconde da Coriscada (1824-1876), hábeis comerciantes, instalaram a empresa que possuíam, desde 1835, na Rua Direita e um engenho, no Sítio da Califórnia (Engelho dos Mello), fundado em 1844 e explorado sob a designação comercial de “Gregório Nunes Geraldes & Sócios”, num edifício fabril destinado à cardação, fiação, apisoamento, tosa e percha, construído num terreno adquirido a André da Fonseca Corsino, próximo da Fábrica Velha. Em 1851, o mesmo foi pasto das chamas tendo, por este facto, adquirido as instalações da Fábrica Velha, então na posse de D. António Joaquina de Castro, que submeteram a uma reconstrução profunda, na origem do actual complexo.

Em 1864, encontravam-se já criadas as firmas “Mello Geraldes & Cª.”, com uma fábrica completa, na Ribeira da Carpinteira, e onde laboravam 244 trabalhadores e a “Campos Mello & Irmão”, especializada em acabamentos, com 57 trabalhadores. Esta última, em 1889, foi distinguida com a medalha de prata, na Exposição Internacional de Paris. Difundiram a empresa, a nível nacional, tendo criado casas filiais e depósitos em várias cidades, nomeadamente em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Santarém, dinamizadas pelos irmãos Campos Mello, enquanto que a direcção fabril se encontrava a cargo de Gregório Nunes Geraldes.

Em 1891, foi uma das quatro fábricas visitadas na Covilhã, pela comitiva real, a quando da inauguração do caminho-de-ferro. Em 1892, a firma é co-proprietária de um outro engenho, o do Sineirinho. A partir de então, passou também a produzir fardamentos para o exército.

Em 1908, de sociedade familiar, transformou-se em sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, sendo transferida a sede da administração da empresa para Lisboa.

Em 1935, no decurso de uma grave crise que atravessou, foi sócia fundadora da “Nova Penteação e Fiação da Covilhã Lda.”, tendo, para realizar a sua quota, transferido para a nova sociedade os direitos sobre vários prédios rústicos e urbanos e uma mina, bem como a cedência de autorização para a instalação e exercício da indústria de penteação, fiação de lãs e fabrico de lanifícios, que lhes fora concedida por despacho ministerial de 1933. Este alvará e os terrenos vieram a ser adquiridos, em 1938, por aquela empresa à firma “Campos Mello & Irmão”.

Na década de 40 do séc. XX, um último esforço de modernização transformou-a numa empresa modelo, a nível nacional, datando deste período a aquisição, no âmbito do Plano Marshall, do mais moderno lavadouro de lãs do país, com capacidade para lavar 2.000 Kg de lã, por hora.

O espírito progressista e filantrópico dos fundadores e continuadores desta firma, evidenciou-se na criação e apoio a diversas instituições de beneficência covilhanenses, como a Biblioteca Heitor Pinto, a Associação da Infância Desvalida, a Misericórdia da Covilhã e, particularmente, a Escola Industrial Campos Melo. Marcaram a história económica, social, política e cultural da cidade e do país, como expoentes da modernidade e do progresso e de que é ainda hoje um digno representante o especialista têxtil e poeta, Ernesto Manuel de Melo e Castro (1932).

Uma plêiade de técnicos e de operários especializados, formada por esta empresa, alimentou a indústria local e nacional dinamizada pela frequente contratação, no estrangeiro, de quadros técnicos altamente qualificados, particularmente oriundos da Suíça, Bélgica e Espanha (Catalunha).

De tão importante empresa subsiste, actualmente, o complexo fabril e o contexto arqueológico onde o mesmo se insere e que através de uma necessária intervenção arqueológica, permitirá pôr a descoberto as estruturas remanescentes da primeira manufactura de estado, fundada na Covilhã, no séc. XVII. De significativa importância patrimonial será a preservação in situ do lavadouro mecânico ali instalado.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

Comentários

  1. Boa tarde. Sou descendente dos fundadores da fábrica velha mas pouco sei da sua história. Por isso foi com muito interesse que li o seu texto. Estranho, contudo, que não refere o incêndio que a destruiu ( talvez por volta de 1920). Era este o único facto da história da fábrica que eu conhecia . E sempre pensei que não tinha voltado a laborar... Gostava de saber o que realmente aconteceu porque só sei que a família ficou devastada .
    Muito obrigada.
    Teresa Nolasco

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  2. Ainda tem algum nome de família que a ligue à Fábrica Velha?

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  3. ola teresa, o meu nome é beatriz e sou uma estudante que está a fazer uma projeto notícia com uns colegas sobre a antiga fábrica, seria possível entrar em contacto consigo?

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